Saturday, September 11, 2010

Tragédia grega

Era uma bela garotinha vivendo em um mundo bastante grande. Cheia de sonhos era ela. Princesas, bruxas, príncipes. Tinha todos os ingredientes para seu conto de fadas perfeito. À medida que ia crescendo, sua inocência ia sendo comprometida pelo mundo assustador em que ela foi percebendo que vivia. Por que é que os contos de fadas não podiam se tornar reais?
Realidade. Que palavra mais enigmática. Qual é o limite para ela? O que realmente determina o que é real e o que não é? Sua mente era perturbada pela obscuridade de seus pensamentos mais profundos. A vida já não era mais um lugar seguro para sua criança interior. Sozinha estava ela. Mesmo cercada de pessoas. Quanto mais apelava para a razão, mais vazia se sentia.
Vácuo. Sem sentimentos. Sem emoções. Sem nada. Viveu a vida como em uma peça de teatro: uma tragédia grega. Um espetáculo divino, sem espectadores, exceto ela mesma e os deuses do Olimpo.
O ato final. O ambiente tenso. Silêncio. Nenhum aplauso. E as cortinas, finalmente, se fecharam.

Thursday, July 29, 2010

Sonho meu...

Ontem tive um sonho. Sonhei com você.
Sonhei um sonho lindo. Colorido.
O verde dos seus olhos refletia o branco-paz da sua alma.
Isso me deixava calma.

Estou sempre sonhando.
Sonho acordada. Sonho dormindo.
Sonho em pé. Sonho sentada. Sonho deitada.
Sonho sonhos sem pé nem cabeça: desejos reprimidos...

Sonhos bons. Sonhos ruins.
Sonhos sonhados. Sonhos desejados.
Sonhos sem objetivos.
Sonhos a serem realizados a curto ou a longo prazo...

Mas ontem foi diferente. Sonhei com você.
O castanho do seu cabelo refletia o amarelo do raio de sol.
Sua voz cantava, suave, "Pink Floyd" em si bemol.

Esta manhã abri os olhos. E tudo não passou de mais um sonho.
Mas desta vez foi diferente. Porque ontem tive um sonho.
Sonhei com você...

Sunday, July 25, 2010

Bloqueio Criativo

Sua mente trabalhava sempre. 24 horas por dia. 7 dias por semana.
Escrevia com frequência. Poesias. Músicas. Histórias. Pensamentos.
Até que um dia teve um bloqueio criativo...

Wednesday, June 2, 2010

A copa, a cozinha, a sala e outros aposentos...

E o juiz apita: começa o jogo na África do Sul!

Sim, a Copa do Mundo! Depois de quatro anos ela estava de volta. O momento máximo do esporte tido como paixão nacional. No entanto, sentia que as coisas já não eram como antes. A seleção já não tinha aquela identidade com a torcida, aquele brilho, aquele encanto que hipnotizava não só os brasileiros, mas o mundo! Achava estranho que, diferentemente do que aconteceu em outras copas, o país só ficou enfeitado mesmo na véspera do jogo. Em outros tempos, não muito, talvez uma ou duas copas atrás, as ruas já estavam pintadas de verde e amarelo uns dois meses antes do jogo de estreia. Mas, dessa vez, era totalmente compreensível. O que o técnico Anão estava pensando? Não levou aquilo que tínhamos de melhor. Todos os dias os jornalistas esportivos davam os seus pitacos: "Por que ele não dá uma chance para o Neyrio?"; "Como pode deixar um craque como o Cisne de fora?"; "E o Boladinho? Ele está jogando muito! Por que não convocá-lo?"...

O fato é que ele levou quem ele confiava. E é para eles que devemos torcer, afinal de contas somos patriotas, certo? Patriotismo... isso era outra coisa que não aguentava mais ouvir sem se irritar. Hipócritas! Achava o cúmulo as pessoas serem patriotas apenas na copa do mundo. De quatro em quatro anos todos enchem o peito e gritam "Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor!" Hipócritas! Por que não agem assim o ano inteiro todos os anos? Hipócritas! Hipócritas! Hipócritas!...

Piiiiiii... e é fim do primeiro tempo!

Com muita irritação, não apenas por conta do jogo que estava empatado em zero a zero, mas também por conta de seus pensamentos, levantou-se e foi até a cozinha. Pipoca! Isso era sagrado em jogos. Depois de muitos Ploc, ploc, ploplocs, pegou a vasilha de pipoca e voltou para a sala.

Comeeeeeeeeça o segundo tempo!

Com os olhos vidrados na telinha e a boca cheia, de repente passou-lhe pela cabeça que sofrer por algo que não mudaria a sua vida não levaria a nada. Mas não podia evitar. Adorava esse esporte. Adorava dar palpites quanto à escalação, à tática, às substituições... enfim, quem precisa de técnico se existem os torcedores, não é mesmo? Sabia que o atual técnico da seleção não permaneceria no cargo após a copa. Vida de treinador pode ser curta às vezes. Imaginava quem mais sairia, quem se aposentaria... quantos "Eu me aposento"(s) ouviria além, é claro, da notícia de mudança de clube de muitos outros...

Gooooooooooooooool... é do Brasiiiiiiiiiiil!!!

Para esse jogador que acabara de fazer o gol, com certeza a vida valeria a pena. Ganharia notoriedade por ter marcado um tento em um campeonato que o mundo inteiro para para assistir. Ganharia (ou continuaria ganhando) milhões. Não teria com o que se preocupar por muito e muito tempo. Só, talvez, teria que lidar com uma possível inflação de ego. Quanto aos torcedores, esses sim teriam com o que se preocupar. Teriam que lutar todos os dias para ganhar o suficiente para se sustentarem. Eles: verdadeiros guerreiros, verdadeiros exemplos, verdadeiros ídolos...

E é fiiiiiiiiiiiim de jogo! Grande vitória brasileira...

Friday, May 14, 2010

As aftas ardem e doem. Hemorróidas, idem!

Já tentou falar essa frase com sotaque alemão? Se não, tente! É engraçado, não é? Parece que você está realmente falando algo em alemão. É como aquela frase do: "O 'O' tem som de 'U'?" Mas vamos falar de coisa séria. O assunto que eu achei interessante para comentar no blog é: afta! Isso mesmo. A-F-T-A-!

Esses dias eu estava conversando com uma amiga e ela dizia que estava com uma afta e por conta disso, lera uma matéria na internet sobre aftas. Disse que os principais desencadeadores eram o estresse e as lesões locais e que a tendência era começar na adolescência e se agravar na faixa dos 30 a 40 anos, época em que o estresse aumenta. Eu até brinquei com ela dizendo que não sabia se chegaria aos 40, porque estava vivendo um período bem estressante com coisas da faculdade para me preocupar. Enfim, tudo muito curioso e interessante, mas... Eu não colocaria algo aqui no blog só por conhecimento científico, né? A minha "mente mirabolante" tinha que ir além e achar coisas mais... digamos assim... condizentes com a minha "sem-gracisse aguda".

Pensando no que foi dito no começo do primeiro parágrafo, já reparou que a palavra "afta" parece um britânico falando a palavra "after"? "AFTA all", "AFTA that", "AFTAwards", é AFTA que não acaba mais! E a palavra "better"? Simplesmente vira uma letra grega: "beta". Isso é que é globalização!

Então, para terminar esse texto inútil, sem pé nem cabeça, vou escrever uma frase clichê de contos de fadas em inglês para você decifrar! Não é tão difícil assim, vai!

Andei, li: vide "repeli Eva Afta"!

Tuesday, April 13, 2010

Ciclo

Chegou. Abriu a porta e entrou. Estava tudo escuro. Acendeu a luz e foi direto para o banheiro lavar as mãos e o rosto. Enquanto a água molhava sua face e cada poro absorvia aquele conjunto de moléculas em uma temperatura um tanto quanto menor que a de seu corpo, pensava em como as coisas podem mudar em um piscar de olhos.

A noite anterior havia sido estranha. Fora do céu ao inferno em apenas algumas horas. Não conseguia esquecer aquele corpo sobre o seu. Pele com pele ardiam em chamas sobre o lençol de algodão... De algodão? Trocaria sua roupa de cama o mais rápido possível e de uma vez por todas! Beijos apressados e intensos e... A imagem daquela discussão se avivava em sua mente. Não sabia exatamente como começara, mas sabia muito bem como terminaria e queria a todo custo evitar o pior. O pior é que não podia fazer nada. Teimosia era um de seus principais defeitos e ela insistia em esbarrar no orgulho alheio. A porta bateu e bateu a solidão.

Secou o rosto. Olhou-se no espelho. De quem era aquela imagem refletida ali? Não reconhecia mais. Onde estava aquele sorriso que iluminava o seu mundo? E aquele par de olhos que brilhavam intensamente? Neles era possível ver sua imagem refletida vendo sua imagem refletida neles. O espelho do espelho do espelho... A alma! A campainha tocou. Não sentia a menor vontade em atender. Quem seria a uma hora daquela? Mais um toque. E mais um. E mais...

Uma luz vinha da porta já aberta. Um sorriso tímido, mas um olhar resplandecente. Um abraço apertado e um beijo calmo. Pele com pele ardiam em cima do lençol ainda de algodão. Aquele corpo sobre o seu. E tudo voltava ao normal. E era o fim da solidão.

Thursday, April 1, 2010

Feliz Páscoa!

Nós nos matamos em SEU nome!
Destruímos o que ELE construiu!
Evitamos entrar em SUA casa,
Exatamente como ELE previu.

Exigimos liberdade e ELE nos dá!
Ignoramos SUA presença.
Não ouvimos quando ELE fala.
E mesmo assim SUA paciência é imensa!

Usamos SEU nome em vão,
Mas raramente pensamos NELE.
Ferimos SEU coração.

E ELE morreu por nós...